quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Ao viajar

De pé na estação, alheia ao ruído do ambiente, só consigo pensar em você. Cada ônibus que chega traz a doce ilusão de que você aparecerá e me surpreenderá, indo comigo aonde quer que eu vá.

Tanto a dizer, mas as palavras desaparecem na sombra do meu desejo; tantos sentimentos que turbilhonam no meu peito enquanto busco um fôlego extra que não vem. A música que toca nos fones de ouvido fala diretamente a mim, traz sua voz perdida entre os versos. E continuo esperando...

A plataforma enche, o ônibus chega mas você não. Ainda assim, alimento a esperança insana de ver você correndo, no último minuto, me alcançando num beijo incontido, extravasando a emoção guardada tão fundo e por tanto tempo.

Devaneios de quem viaja à noite, eu sei; loucura de um coração que deseja sem poder, que aguarda na bifurcação da estrada para tomar sua mão e seguir rumo ao destino há tanto aguardado, há tanto adiado.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Entardecer


O sol se deita, e amanhece meu desejo.
Brilha alto no meu peito, aquece o tempo,
Incendeia os sentidos, apaga a razão.

A brisa da noite é fresca como o seu respirar,
Acalenta meus cabelos como seus dedos,
Beija minha pele como seus lábios.

No decorrer das horas
Entardecer, noite e desejos se misturam e se complementam.
Corpos se entrelaçam contando uma história
Sem palavras e sem tempo.

E adormeço em seus braços desejando
Que o sol não se levante,
Que apenas aguarde
Enquanto nos observa, entregues, em paz.