Estranho ou não, as mensagens mais inusitadas aparecem nos livros. Há correntes esotéricas que dizem que todas as respostas do universo podem ser encontradas nos textos mais simples: basta fechar os olhos, mentalizar, abrir uma página ao acaso e BAM!, lá está a resposta. Eu particularmente acho que essa crença não passa de mais um exercício de interpretação. Se você estiver num dia propício, vibrando na harmonia certa, até o rótulo do shampoo poderá trazer respostas aos seus questionamentos internos.
Foi justamente em um dia comum que apareceu a alegoria da caverna de Platão. Trata-se de uma das passagens mais clássicas da Filosofia, e não me perguntem como eu sei disso - minha memória age de formas misteriosas (parafraseando Shakespeare). No período de um mês, eu encontrei a mesma referência em três livros de épocas e gêneros totalmente distintos (entendam: eu leio tudo o que aparece na minha frente, variando da poesia do século XVIII ao Sci-fi, passando lindamente por romances históricos, livros de auto-ajuda e ficção criminal, que é de longe a minha preferida). No meio de um livro sobre vampiros, muito bom por sinal, estava lá. De novo. Então, como não poderia deixar de ser, parei o livro e fui estudar mais um pouco sobre a bendita alegoria de Platão, que me perseguia. Foi uma das melhores pausas que já fiz.
A parábola da caverna é uma das mais bonitas alegorias à busca do conhecimento que eu conheço. É simples, mas seu conteúdo está repleto de simbologia. Com ela, podemos nos ver a todos, nos mais variados estágios da superação da ignorância, assim como aqueles que insistem em permanecer na mesma. É uma forma eficaz de mostrar a necessidade de sairmos da zona de conforto para buscarmos o que não compreendemos, não nos limitarmos às sombras da caverna, que são apenas interpretações simplistas da realidade.
Buscar a luz do sol é uma simbologia que se encaixa também no nascimento - sair da caverna rumo ao desconhecido é renascer em uma nova perspectiva de vida, é deixar na escuridão aquilo que não serve mais. Porém, como todo animal gregário, o indivíduo quer voltar para tentar trazer seus semelhantes consigo, e mostrar-lhes o que perdem mantendo-se na ignorância, mas percebe que eles se recusam a abandonar a falsa sensação de segurança que a limitação traz. O ponto culminante da parábola é a luta interna que o indivíduo trava consigo, ao tentar abraçar o novo sem contudo abandonar completamente suas origens; e é exatamente esse apego que o acaba matando no final.
A morte pode ser simbolicamente entendida como o rito de passagem onde o indivíduo definitivamente precisa abandonar o que o acorrenta para buscar a plenitude, caso contrário poderá acabar sufocado em seus próprios receios e limitações. Pode significar também, por outro lado, a desistência da evolução: o indivíduo abandona o projeto de lançar-se ao mundo novo que acabou de conhecer para manter-se em companhia dos que lhe são caros, mas que estão acomodados na ignorância. Ele sufoca seus anseios e se resigna à escuridão, por não conseguir mostrar aos seus como o exterior da caverna pode ser mais promissor, como o conhecimento em si pode levar a conquistas muito maiores.
Na análise desta parábola de Platão, é também necessário refletir acerca do que entendemos por verdade, suas diversas facetas e interpretações, e o quanto dela nos é permitido ver dentro das nossas "cavernas"; até que ponto os objetos que projetam as sombras nas paredes são igualmente percebidos por outrem, e o que escapa aos nossos sentidos.
O exercício da Caverna de Platão deveria ser ensinado e praticado desde a infância, em todas as esferas da educação formal. Talvez assim houvesse menos rótulos aplicados aos que aprendem e se deslocam entre os ramos da Árvore do Conhecimento de forma pouco convencional. Seria também uma excelente maneira de exercitar a tolerância, uma forma de apagar preconceitos, e mais do que nunca formar conexões entre indivíduos de cavernas diferentes.
Não podemos esquecer: as sombras que dançam nas paredes de uma caverna podem ser tão somente as projeções da caverna em frente. Mas no fim das contas, só poderemos saber o que está lá fora se não tivermos receio de dar o primeiro passo em direção à luz.
Einstein já dizia: "A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original".
Se você nunca ouviu falar sobre a Caverna de Platão, mas tem curiosidade em saber mais, pode ler aqui.
A parábola da caverna é uma das mais bonitas alegorias à busca do conhecimento que eu conheço. É simples, mas seu conteúdo está repleto de simbologia. Com ela, podemos nos ver a todos, nos mais variados estágios da superação da ignorância, assim como aqueles que insistem em permanecer na mesma. É uma forma eficaz de mostrar a necessidade de sairmos da zona de conforto para buscarmos o que não compreendemos, não nos limitarmos às sombras da caverna, que são apenas interpretações simplistas da realidade.
Buscar a luz do sol é uma simbologia que se encaixa também no nascimento - sair da caverna rumo ao desconhecido é renascer em uma nova perspectiva de vida, é deixar na escuridão aquilo que não serve mais. Porém, como todo animal gregário, o indivíduo quer voltar para tentar trazer seus semelhantes consigo, e mostrar-lhes o que perdem mantendo-se na ignorância, mas percebe que eles se recusam a abandonar a falsa sensação de segurança que a limitação traz. O ponto culminante da parábola é a luta interna que o indivíduo trava consigo, ao tentar abraçar o novo sem contudo abandonar completamente suas origens; e é exatamente esse apego que o acaba matando no final.
A morte pode ser simbolicamente entendida como o rito de passagem onde o indivíduo definitivamente precisa abandonar o que o acorrenta para buscar a plenitude, caso contrário poderá acabar sufocado em seus próprios receios e limitações. Pode significar também, por outro lado, a desistência da evolução: o indivíduo abandona o projeto de lançar-se ao mundo novo que acabou de conhecer para manter-se em companhia dos que lhe são caros, mas que estão acomodados na ignorância. Ele sufoca seus anseios e se resigna à escuridão, por não conseguir mostrar aos seus como o exterior da caverna pode ser mais promissor, como o conhecimento em si pode levar a conquistas muito maiores.
Na análise desta parábola de Platão, é também necessário refletir acerca do que entendemos por verdade, suas diversas facetas e interpretações, e o quanto dela nos é permitido ver dentro das nossas "cavernas"; até que ponto os objetos que projetam as sombras nas paredes são igualmente percebidos por outrem, e o que escapa aos nossos sentidos.
O exercício da Caverna de Platão deveria ser ensinado e praticado desde a infância, em todas as esferas da educação formal. Talvez assim houvesse menos rótulos aplicados aos que aprendem e se deslocam entre os ramos da Árvore do Conhecimento de forma pouco convencional. Seria também uma excelente maneira de exercitar a tolerância, uma forma de apagar preconceitos, e mais do que nunca formar conexões entre indivíduos de cavernas diferentes.
Não podemos esquecer: as sombras que dançam nas paredes de uma caverna podem ser tão somente as projeções da caverna em frente. Mas no fim das contas, só poderemos saber o que está lá fora se não tivermos receio de dar o primeiro passo em direção à luz.
Einstein já dizia: "A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original".
Se você nunca ouviu falar sobre a Caverna de Platão, mas tem curiosidade em saber mais, pode ler aqui.
